A Carreira Profissional e o Amor

“O trabalho dele é o que está a destruir o nosso amor. Parece que só o trabalho é importante. Só se dedica a ele.” - Discurso de uma cliente, queijando-se do seu marido...



Cada vez mais pessoas sofrem de um surto psicológico denominado “vicio do trabalho”.

O “vicio do trabalho” é uma situação em que a pessoa que o sofre entrou sem ter consciência, centrando a sua vida no rendimento e nos resultados da sua carreira profissional, reduzindo aos poucos os seus interesses pessoais, por uma justificativa grave de falta de tempo para o que outrora era importante e agradável na sua vida.


A pessoa viciada no trabalho tem ritmos vitais e emocionais bastante diferenciados nas diferentes áreas da sua vida.

No contexto profissional, é uma pessoa muito interessante aos olhos dos outros, de bom trato com os outros, afectuosa nas suas relações profissionais e entusiasmada com as tarefas das quais se compromete. A pessoa, no contexto profissional, nunca se mostra negativa, não dá sinais de cansaço ou trata de os dissimular, e o seu humor está sempre estável e controlado.


Contudo, a mesma pessoa, ao chegar a casa, é completamente diferente.


O optimismo transforma-se em pessimismo, o bom humor transforma-se em notório mau humor ao primeiro conflito ou contrariedade e a maioria das atitudes e comportamentos revelam-se carregados de dramas.

As noites e os dias sem trabalho mostram uma atitude completamente distinta quando comparado com os dias de trabalho.

A vida pessoal de pessoas viciadas no trabalho é completamente sofrida.

Uma pessoa nestas condições perde a sua ternura e a capacidade de sedução perante quem ama, provocando no outro uma incompreensão por tais comportamentos.

Quando o vicio no trabalho está numa etapa inicial, a actividade sexual mantém-se, embora se torne menos apetecível, mecânica e carente de emoção e sentimento.

Com o tempo, o completo interesse sexual instala-se, assim como todas as actividades que não estejam relacionadas com o trabalho.


Se a pessoa afectada for questionada perante uma possibilidade de vicio, normalmente tem forte tendência a manifestar que tem que trabalhar como trabalha, que o trabalho é muito exigente e que não é qualquer pessoa que o pode fazer, concluindo que o faz porque adora o que faz e porque precisa de trabalhar para assegurar o conforto, a estabilidade e a segurança da família.

Este tipo de discurso oculta uma atitude que é disfarçada de generosidade e preocupação pela família, mas a verdade é que existe uma certa fuga das responsabilidades afectivas, tanto individuais como conjugais...

A parte verdadeira deste discurso é que a pessoa está realmente ancorada e presa ao seu trabalho, assim como qualquer pessoa que tenha um outro qualquer vicio.

Aceitar esta realidade custa imenso a quem a sofre.


Este grupo de pessoas pode dormir, sem apresentar sinais de cansaço, cerca de 5 ou 6 horas diárias durante os dias de trabalho e mais de 10 ou 11 horas nos dias em que não trabalham.

Nestas pessoas, o humor é também demostrativo da sua incomodidade fora do contexto de trabalho, pois enquanto no trabalho actuam com cordialidade e afecto, na vida privada tendem a evitar as relações pessoais, apresentando sinais de fobia social, fugindo de modo radical das relações interpessoais, sentindo-se apenas motivadas com coisas que se relacionam com o trabalho e que percepcionam como produtivas.


“Não me apetece jantar com amigos, a menos que sejam jantares que estejam relacionados com o meu trabalho.” - Discurso de uma outra cliente, ao falar sobre a sua vida social.


As pessoas viciadas no trabalho, quando estão na vida privada, privam-se de viver os afectos e sentimentos, escapando-se para actividades que as impeçam de sentir o que estão a sentir e que as façam sentir algo que pretendem sentir, sendo que o problema se mantém e se acentuará cada vez mais ao longo do tempo...


Ninguém pode fugir do que sente profundamente durante muito tempo, e se o fizer, apenas provocará mais e mais sofrimento, até ao ponto de adoecerem...

Esta é uma atitude auto-destrutiva, que ninguém merece viver – nem a própria pessoa nem quem está por perto e que mais amam.


Além das “actividades de fuga”, na vida doméstica, estas pessoas podem viver obcecadas pela ordem e pela limpeza, não sendo capaz de deixar louça por lavar ou roupa por passar a ferro, em detrimento de gozar os prazeres da vida com quem amam.


Uma pessoa viciada no trabalho, dificilmente reconhece a sua situação, tal como acontece com a maioria das pessoas viciadas em qualquer outro vicio.

A aparição da angústia, aborrecimento ou até a agonia na vida privada, são um tremendo sinal de alarme!

Acontece que, na esmagadora maioria das vezes, as pessoas ignoram os sinais, decidindo modificar costumes, hábitos e valores que tinham até então, encobrindo e anestesiando apenas um grave problema que se manifestará inevitavelmente mais adiante, no tempo, sob a forma de doenças, em casos extremos.



Pedro Gomes - Especialista em relacionamentos e processos de gestão emocional

+ Life Coach (célula profissional Nº S495-2017PT), Instituto Ciências Comportamentais e de Gestão, Porto Portugal

+ Especialista em PNL com especialização em foco terapêutico e emocional, Instituto Ciências Comportamentais e de Gestão, Porto Portugal

+ Formador certificado, Instituto Emprego e Formação Profissional, Porto Portugal

+ Especialista em Inteligência Emocional, Universidad Isabel I, Burgos España

+ Master em Psicologia Holística, Escuela de Postgrado de Psicología y Psiquiatría, Madrid España

+ Especialista em Sinergologia Aplicada à Comunicação, Coaching Camp Logroño Espanha

+ Especialista Inteligência Emocional Neurociência VEC, Emotional Network, Bilbao España


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