A armadilha emocional das redes sociais

O objectivo desde artigo é elucidar para a armadilha emocional das redes sociais, em que muitos já permanecem em cativeiro emocional e altamente viciados.





Claramente, um dos objectivos das redes sociais passa pela recriação dos desejos mais primários do Ser Humano, com recurso à inteligência artificial por meio de sistemas de algoritmos estudados através dos comportamentos gravados no histórico e do rasto digital de cada usuário das tecnologias online.

As grandes empresas que gerem as várias redes sociais, repensam continuamente como podem injectar estados contínuos de ansiedade e felicidade nos usuários, com o objectivo primordial de gerar mais actividade que aumente o tráfico de dados, escondendo-se atrás de uma muralha repleta de um ilusório romantismo.

Através de toda a informação absorvida dos consumidores, estas empresas adquirem a capacidade de antecipar-se ao desejo dos usuários, oferecendo-lhes uma experiência antes mesmo do usuário ter pensado nela, capturando o desejo e aprisionando vontades humanas, gerando uma descontrolada ansiedade pela busca de uma felicidade anunciada como fácil.

Assim é criada uma estrutura de sentimento pelo meio do capitalismo digital, capturando os desejos, instintos e as convicções sociais da maioria da população mundial -aquela que tem acesso à Internet.


Fazendo aqui um aparte sobre uma curiosidade acerca do sentimento, este na verdade, nunca é algo intimamente pessoal ou intuitivo, pois está limitado a uma ordem sistémica.

Por exemplo, quando sentimos que a pessoa pela qual nos apaixonamos é a pessoa certa, é porque desde pequenos nos ensinaram, mediante estruturas narrativas (filmes e contos infantis), que o amor nos completa como indivíduos e que esse amor vem de uma só pessoa.

Aprendemos a enquadrar o amor na monogamia, quando sabemos que em outras culturas o amor está submetido a outras estruturas.

Outro exemplo que posso mencionar, será a alegria.

Sentimos alegria quando estamos rodeados de pessoas alegres, o que quer dizer que as estruturas onde nos inserimos são contagiantes, e o capitalismo sabe muito bem deste contágio, já que estamos constantemente rodeados de anúncios e vendas repletos de enormes e alegres sorrisos.


As estruturas contagiam qualquer individuo, levando-o a absorver na sua individualidade as estruturas onde ele se insere.





Ao usar as redes sociais de encontros, o individuo torna-se numa espécie de empreendedor do amor, uma vez que para estar dentro dessas redes tem que definir e preencher um perfil para obter determinados resultados.

A partir desse mesmo momento, o individuo já está a definir a sua marca pessoal, seleccionando aquilo que considera que o representa com base naquilo que quer conseguir, sejam relações sócio-afectivas ou sexo-afectivas.


Assim criamos uma identidade, na maioria das vezes idealizada na nossa mente, colocando histórias de autos-superação, de sucesso pessoal e de sonhos realizados, acompanhados por fotografias sedutoras e de plena felicidade.

A curiosidade é quando essas identidades se repetem em massa (a chamada subjectividade de massas), abrindo assim um legitimo debate sobre se realmente essas ditas nossas histórias de autos-superação, de sucesso pessoal e de sonhos realizados são verdadeiras e, caso o sejam, se realmente são sentidas na profundidade do coração de quem as pertence.



A nossa sociedade, fruto do desenfreado consumo ditado pelo capitalismo, vive numa aceleração nervosa da busca da felicidade plena.

Queremos cumprir os objectivos de forma rápida e optimizada, sem perder tempo de vida, quando na verdade estamos já aprisionados a uma servidão de próprio tempo em prol de um neoliberalismo que atinge inteligentemente com uma profunda inconsciência acerca dos verdadeiros valores de uma vida emocional saudável. Dada esta nossa inconsciência, tristemente escolhemos ser uma peça instrumentalizada da fria máquina económica, entregando aquilo que de mais valioso temos, a nossa própria intimidade de sentimentos e desejos mais profundos – perdendo assim a liberdade e a dignidade a que temos direito, mas a que à qual prescindimos pela busca dos prazeres fáceis e imediatos, já que consideramos que o tempo de vida é curto e há que o “aproveitar” de forma “rápida” e “optimizada”.


A consequência é que sentimos um enorme vazio na nossa vida, talvez porque na verdade a nossa vida já não nos pertence.

A nossa experiência emocional está, visivelmente, reduzida ao consumo – a nossa geração toma viagra porque não tem tempo para os preliminares e consome drogas para poder experimentar sensações de deslumbramentos, em que não são mais do que bloqueios da própria consciência de uma vida carente e sem sentido.

Talvez seja este o grande motivo da depressão e, ao mesmo tempo da ansiedade, que invade a nossa geração.


O circuito emocional do "Caçador" e as redes sociais


O circuito emocional do caçador é um padrão de comportamento instintivo gravado no cérebro Humano que as redes sociais utilizam para poderem elaborar uma interactividade com o objectivo de manter o usuário preso e “fidelizado”.

Consiste na relação de feedbacks bioquímicos que o corpo humano produz quando se activa para obter destaque nas redes sociais – antigamente esta activação era accionada para caçar animais de forma a garantir o alimento para a sobrevivência…

A relação destes feedbacks bioquímicos obedece a seis fases, mas basicamente podemos dizer que estes feedbacks são uma alteração do circuito de segregação da adrenalina e da dopamina que se activa quando o ser humano persegue um determinado objectivo.


De uma forma simplificada, apresento em seguida, as seis fases, para uma melhor compreensão do exposto:


Loop do caçador, por Dori Adar (2014)

Fase 1: Localização de determinadas formas e padrões desprende uma emoção.

Fase 2: Imaginar a “presa” liberta suaves doses de dopamina (chamado o químico da felicidade).</